Maria Lúcia Amaral, ministra da Administração Interna, falou pela primeira vez em público depois da passagem da depressão Kristin para justificar, precisamente, a sua ausência do terreno e o seu silêncio. “Há muito trabalho que se faz em contexto de invisibilidade, no gabinete. Temos trabalho de informação, reflexão, planeamento e coordenação”, afirmou a ministra esta sexta-feira, em declrações aos jornalistas, à margem da conferência de imprensa da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).
“Sou responsável pela Proteção Civil, com muita honra”, notou a ministra, que na quarta-feira já tinha ido à ANPC com o primeiro-ministro e com o Presidente da República. Esteve, naturalmente, na reunião do Conselho de Ministros, na quinta-feira, onde foi aprovada a declaração de situação de calamidade para 60 concelhos atingidos, mas não acompanhou Luís Montenegro na visita a zonas afetadas nessa tarde.
A ministra sublinhou que a preparação para o evento climatérico “extremo” começou com a “convocação de um centro de coordenação operacional”, antes da passagem da depressão, integrando socorro, forças de segurança, Forças Armadas e Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). “Todos nós, sociedade e Estado, estamos num processo de aprendizagem coletiva quanto à melhor forma de responder [a eventos extremos]”, admitiu a ministra, anunciando que no domingo, às 17h30, na sede da Proteção Civil, haverá uma reunião da Comissão Nacional de Proteção Civil: “Será precisamente para nos nos preparamos para a situação depois de domingo à noite.”
Maria Lúcia Amaral sublinhou que o mau tempo vai continuar e que há riscos acrescidos na próxima semana, sobre um território já fustigado. “A provação por que passámos não terminou. Com as informações de que dispomos, tudo leva a crer que a partir da noite de domingo tenhamos um quadro meteorológico muito severo, apesar de não ser a repetição do que aconteceu”, disse.
A ministra deixou ainda as condolências às famílias das vítimas mortais: “O nosso primeiro pensamento é para com as cinco pessoas que perderam a vida e para os seus familiares e amigos.”


